Imprensa
Maria João lança novo álbum na segunda-feira
14 de Abril de 2007
Diário Digital / Lusa
A cantora Maria João concretiza segunda-feira uma «aventura absoluta» através da música popular brasileira com a edição de «João», um álbum em nome próprio e feito apenas de escolhas «afectuosas e intuitivas»
Em entrevista à agência Lusa, Maria João descreveu este álbum como a «oportunidade finalmente concretizada de cantar música brasileira, um amor que foi crescendo e surpreendendo».
«João», nome pelo qual a cantora é carinhosamente conhecida pelos amigos, reúne 14 temas retirados do rico cancioneiro musical brasileiro, incluindo os seus autores e intérpretes «heróis e heroínas», como Chico Buarque, Edu Lobo, Elis Regina e Pixinguinha.
Acompanhada pelos músicos Yiuri Daniel (contrabaixo), Mário Delgado (guitarra), Alexandre Frazão (bateria) e Eleonor Picas (harpa), Maria João gravou o álbum no Porto, no estúdio de Mário Barreiros e contou com a colaboração de Miguel Ferreira, dos Clã, nos arranjos dos temas.
Passada a barreira dos 50 anos, a voz de Maria João mantém a destreza dos agudos e dos graves, entre a voz de menina e a de mulher, na transformação e interpretação, por exemplo, de «Partido Alto» (Chico Buarque) e «Rosa» (Pixinguinha/Octávio de Souza).
Maria João descreveu como «doloroso» o processo de escolha e apropriação das canções a incluir no álbum: «é muito difícil distanciarmo-nos das canções que ouvimos e gostamos tanto, mas eu quis torná-las também pessoais».
Essa transposição para o universo pessoal de Maria João sente-se na apropriação da musicalidade africana nos temas brasileiros.
«É uma presença muito querida, que me faz lembrar o balanço da música da Baía», confessou.
Do repertório escolhido varia-se entre temas compostos por Tom Jobim e Chico Buarque («Retrato em Branco e Preto»), Carlinhos Brown e Marisa Monte («ECT»), Baden Powell e Vinicius de Moraes («Canto de Ossanha»), Zequinha de Abreu («Tico-Tico no Fubá») e Marcelo Camelo, dos Los Hermanos («A Outra»).
«João» é ainda a primeira experiência a solo de Maria João depois de 12 anos em parceria com o pianista Mário Laginha, um passo que a fez sentir «alguma solidão».
«É muito fácil fazer parcerias com outros músicos, mesmo que as coisas às vezes não corram muito bem, porque vamo-nos sempre apoiando», referiu.
Em «João», o processo foi diferente e pensado até sem um piano, tão presente nos álbuns anteriores.
A acompanhar a edição do álbum sairá um DVD com alguns dos temas de «João» registados ao vivo no cabaret Maxime, em Lisboa.
Feito o álbum, o próximo passo é a divulgação ao vivo, com um primeiro concerto na sexta-feira no Theatro Circo, de Braga, seguindo-se actuações em Leiria, Lisboa, Portalegre.
Em Outubro está prevista uma digressão pela Europa, com passagem já assegurada por França, Alemanha, Suíça e Áustria, países onde está prevista também a edição do álbum.
