Maria João

Discografia

Maria João & Mário Laginha

Mumadji

Letras

em tão pouco escureceu tanto
(1:27)

preto e branco
(9:06)

um choro feliz
(7:08)

asa branca
(Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga)
(11:09)

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do Céu, ai
Porque tamanha judiação

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por farta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu lhe asseguro, não chore não, viu?
Que eu voltarei, viu, meu coração.

Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

o chão da terra
(5:39)

diz quem de manhã viu uma pedra cair dos céus
soprando faísca roncando trovão
estatelar-se na terra
abrir-lhe uma ferida profunda
dividindo-a quase em dois,
acentuando-lhe as curvas.
diz quem viu o povo espalhar-se à volta da ferida
como se assim lhe segurasse os rebordos para que não aumentasse.
diz-se que uma moça se atirou aos abraços do mar
para a terra voltar a ser chão.
diz quem viu os homens dançarem
ao som do ghiculo brilhantes de suor e transe
diz-se que sobre as pessoas em suspenso
voaram milhares de xitotonguanas
um dia a ferida sarou
devolvendo à terra a sua antiga forma redonda.
o chão acordou todo,completo,
a manhã nasceu húmida, vagarosa e perfumada,
gota solitária na passagem dos anos
(dedicated to the people of mozambique)

há gente aqui
(10:37)

um amor
(6:31)

eu lhe ouvi entrar
vi no seu olhar
que estava querendo me atormentar

e reagi sem ver
coração tocando o céu da boca
minha alma louca
ai minha voz saindo
andando sem roupa
nua de palavras

queimando de intenção
digo afogueada
digo sem retorno e sem razão

foi como se pegasse fogo em água fria
como se empurrasse a escuridão,
como me iluminasse
meu amor ficasse pertinho
jurando servidão.

rafael ou a cor de moçambique
(4:35)

Rafael arregala os olhos no rosto magro e logo salta
a gargalhada, dentes maningue brancos, cabelo
hirsuto. Está orgulhoso.

Macuelito escarranchado na ilharga da mãe, ora
dorme ora mama. A mãe dobrada trabalha a
machamba e sonha, chicomo nas mãos. Sonha com
a terra que dava tudo, e com o que vão comer hoje.
O rapazito observa e desconsegue parar de rir,
dentes brancos na cara suja.

Cedinho na praia, atirou o fio de pesca à água, com
anzol, isco e esperança e as ondas no seu
– “ vou, volto, vou, volto” -
deram-lhe o maior peixe que já viu.

Fugiu logo entre os pescadores e compradores ali na
areia: "Não patrão, não vende, não vende" não quer
xicudo ni quinhenta.

Hoje vão comer bem! A mãe sabe nada não. E ele não
pára de rir lambuzeiro, dentes brancos no rosto
iluminado de menino negro

nazuk
(8:02)

Lento suave e firme
é o assentar das minhas patas no chão.

As ruas carregam coisas
ruidosas que se empurram e
me empurram sem razão,
separando-me de mim.
Caminho pesado e o meu corpo,
rugoso e sagrado, tem pintadas
as muitas cores que os homens fazem.

Aqui estou eu, enorme e frágil,
no meio da cidade, com a minhas
presas intactas.
Aqui estou eu, debaixo deste sol
escaldante que nunca me deixa
esquecer as selvas, montanhas e
imensas planícies verdes e livres
duma Índia que é minha

forró da rosinha
(6:38)

montando o meu cavalo
eu não fico aqui
tá seca a minha boca
coisa assim não vi, ou vi?

metido dentro de um saco
vou levar tudo
camisa saia sapato
e a minha faca de mato e mais tu!

sob um mantinho de estrelas
vou cavalgando ao relento
na solidão desse mundo
a lua é o meu catavento

no meio desse mato
tem lugar prá mulher
pra bichinhos e frutos
e aquilo que eu quiser

homem macho valente
cabe em meu coração
se me deixar contente
e me deitar no chão

lá longe vem o trenzinho
turututu turututu turututu
vem aqui tu
turututu turututu turututu
quero aqui tu

não me arrependo de nada
nessa vida de deus
o mundo carrega pecados
cada qual cuida dos seus
e eu cuido dos meus

eu cuido de ocê
eu quero você
eu gosto de ocê
preciso de ocê
precise de mim
fique junto de mim
se ajeite comigo
se enrole comigo

´tá um calor arretado!

inté mesmo asa branca
bateu asa avuô
tô deixando o sertão
meu coração ficou

cobra espinho e lagarto
e a carência de tudo
pai e mãe num lamento
eu voltarei, lhe juro!

lá longe vem o trenzinho
turututu turututu turututu
vem daí tu
turututu turututu turututu
quero aqui tu

não me arrependo de nada
nessa vida de deus
o mundo carrega pecados
cada qual cuida dos seus
e eu cuido dos meus

eu cuido de ocê
eu quero você
eu gosto de ocê
preciso de ocê
precise de mim
fique junto de mim
se ajeite comigo
se enrole comigo

portanto esteja avisado!

no meio desse mato
tem lugar prá mulher
pra bichinhos e frutos
e aquilo que eu quiser

homem macho valente
cabe em meu coração
se me deixar contente
e me deitar no chão

lá longe vem o trenzinho
turututu turututu turututu
vem daí tu
turututu turututu turututu
quero aqui tu

a lua partida ao meio
(3:06)

olha a lua partida ao meio
de tão baixinha que está
quase leva as copas das árvores
e o cabelo dos homens altos.

se eu fosse muito guloso
comia esta lua em forma de queijo.

olha a nuvem, a nuvem branca
quer tapar o nosso queijo
nuvem gorda e sem vergonha
invejosa da luz da lua.

tu já viu que esta noite não tem vento?

olha a lua partida ao meio
se eu pudesse sentava nela
e ficava espiando a terra
e me via olhando ela!

 

LIMITED EDITION : Extra Tracks

flor
(5:05)

meu bem meu menino
me dê o seu sorriso
a sua gargalhada escancarada
me empreste seus pés morenos.

coberto de sol
veloz sobre o areal
em corrida descalça descarada
rei da praia herói sem igual

me devolva meu coco
seu moleque bonitinho
me dê a sua bochecha
pra eu lhe pôr um beijinho

não ria de mim
ria para mim.

quer comer?
quero
farofa com arroz
batata com feijão
vai jiboiar três dia inteirinho.

tu vai inté a cidade
e eu vou também
tu vai com a praia
eu vou com ninguém
quem chegar primeiro
tem direito um pedido
tu quer uma flor
eu quero um vestido.

não ria de mim
ria para mim

quer comer?
quero
farofa com arroz
batata com feijão
vai jiboiar três dia inteirinho.

meu bem meu menino
me dê o seu sorriso
essa sua risada encantada
seus saltos mortais salgados.

porta voz, bandeira
liberdade geral
flor de areia voando sem parar
rei da praia
veloz e sem mal.

várias danças
(26:06)


all compositions by Mário Laginha
all lyrics by Maria João
except asa branca by Luís Gonzaga adapted by Maria João and Mário Laginha